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20 de maio de 2015

Transição

Eu sempre tive um certo preconceito contra vegetarianos. Não porque não compreendia como eles viviam sem carne, mas porque parecia que todo vegetariano que eu conhecia queria meter o bedelho na minha dieta. Eu acho super válido criação de campanhas e outras coisas para conscientizar as pessoas, e tenho certeza que muitas até param de comer carne por conta disso. O que eu não suportava - e não suporto até hoje - eram aquelas pessoas que tinham que tocar nesse assunto pra tentar me convencer toda vez que conversávamos. O negócio é que pra mim a dieta é como uma religião: você pode informar as pessoas sobre, mas não pode forçá-las a ter a mesma que você.

Eis que um dos meus melhores amigos virou vegetariano e se tornou exatamente o tipo de pessoa insuportável que só fala sobre isso e tenta convencer os outros custe o que custar. O engraçado é que quanto mais eu convivia com pessoas assim, mais eu queria comer carne. Talvez porque eu realmente gostava, mas muito provavelmente só porque eu queria mostrar pra pessoa que a minha dieta era minha e, olha só, não tinha nada a ver com ela! Devo ser sincera e dizer que cogitei por muito tempo ao menos tentar ser vegetariana, mas eu sei que, aos olhos desse meu amigo, isso acabaria sendo uma vitória dele, e não uma decisão minha. Até que um dia nós brigamos. Por outros assuntos, mas brigamos, e foi feio. Paramos de nos falar¹. E as aulas começaram.

Confesso que no início eu nem pensava em almoçar no Restaurante Universitário, já que minha mãe sempre fazia comida e eu poderia me deliciar mais com as receitas dela do que o cardápio pouco variado do R.U. Até que um belo dia minha mãe disse que não faria mais comida pra mim, e eu teria que almoçar na universidade todo dia. Meu mundo caiu, mas resolvi fazer um esforço, e almocei no R.U. pela primeira vez. E foi aí que tive meu primeiro contato com a proteína de soja². ♥

Eu não tinha intenção nenhuma de virar vegetariana, até porque aqui em casa minha mãe coloca carne em tudo (sério, é incrível como até na sopa ela põe bacon), mas eu gostei mais de comer a proteína do que a carne. E foi aí que eu me toquei que eu queria mesmo parar de comer carne, mas nunca realmente tentei porque sou muito acomodada e não tenho vontade de aprender a cozinhar - fato que mudou de ontem para hoje porque eu tentei fazer um omelete de queijo e deu boa, me tornei a pessoa mais feliz do mundo e agora quero aprender mil e uma receitas, de preferência veganas -, então só comia o que minha mãe fazia.

Mamãe ficou bem triste quando eu disse pra ela que não estava mais comendo carne. Expliquei que era apenas um test drive, pra ver se eu conseguia viver assim. Prometi pra mim mesma que não ia comer carne nenhuma até o churrasco da turma da faculdade, pra ver se aguentava tranquilamente. Estou surpresa com o fato de que a única carne da qual eu realmente sinto falta é o presunto no pão, mas graças à isso tenho feito um queijo quente cada vez melhor, inventando de colocar um ou outro molho, algum tempero esquisito... Tenho me arriscado um pouco, e gosto disso.

Sempre ouvi dos vegetarianos que assim que eles pararam de comer carne, eles se sentiam mais leves e tudo mais. Devo confessar que me sinto um pouco melhor comigo mesma, mas não tudo aquilo que os outros sempre me falavam. E o melhor de tudo: não sinto vontade nenhuma de meter o bedelho na dieta dos outros e dizê-los o quanto é bom viver sem a culpa de comer animais mortos.

Por fim, sinto-me imensamente feliz de compartilhar isso com vocês. Eu não teria coragem de dizer que sou vegetariana ainda, mas uma coisa eu posso dizer: certamente estou em transição.

Sobre o churrasco da turma: é no fim de semana que se aproxima, mas para a minha felicidade (e a de outros coleguinhas) haverá opção vegetariana, então tá de boas. ♥

¹ Sim, eu voltei a falar com esse meu amigo, mas toda vez que ele toca no assunto eu só falo que não como mais carne e que ele já pode parar com a pregação. Funciona.
² Proteína de soja não é exatamente algo gostoso, e não chega nem perto de se parecer com carne, mas misturando com algumas coisas (vai do gosto de cada um) pode até ficar saborosa e você nem sente que é tão diferente assim.

P.S.: Aproveito este final de post para agradecer os comentários no post anterior, e estou impressionada com a quantidade de gente que acabou se identificando. O único problema disso, eu acho, é que na verdade eu me inspirei num transtorno psicológico real pra escrever aquilo. Espero, sinceramente, que nenhum de vocês tenha qualquer problema do tipo.

14 de maio de 2015

Um copo d'água num mundo de artistas

A vida é uma tela. Algumas pessoas são pintoras: se utilizam de tintas - sentimentos, valores e significados - ao pintar o quadro. Algumas são o copo d'água onde os pincéis são mergulhados nas eventuais trocas de cores. Estas são atormentadas por um vazio que se desdobra em milhares de sensações e emoções quase que simultaneamente. Sentem-se um buraco que tenta se disfarçar de chão, sem saber de qual tipo de terreno faz parte. Percebem que possuem uma face inexpressiva que nunca decide qual máscara vestir. Vivem um jogo de adivinhação no qual nenhuma alternativa é certa ou errada. Deparam-se com uma pergunta com milhares de respostas, independente de um contexto.

A verdade é que a água desse copo é chamada de "suja", ainda que todos saibam que ali só há uma mistura das tintas que já passaram pela tela. E, por mais belo que o quadro seja, a água suja sempre é descartada.

28 de abril de 2015

Sobre os 1000 designs do Nighght

Eu sinto que já está na hora de eu me manifestar sobre essa minha mania de trocar o design do blog a cada três dias. Sério, tem vezes que um design não dura nem um dia aqui no blog. Isso me irrita demais. Acontece que agora com as aulas na faculdade, o rítmo das mudanças diminiu - grazadeus, diga-se de passagem -, mas sempre que vejo uma brecha, acabo fazendo alguma coisa nova por aqui. Pra vocês terem ideia, desde que o Nighght foi criado, já fiz mais designs pra ele do que postagens. Sim, a situação é crítica.

Acho engraçado que alguns leitores admiram a minha criatividade, e eu fico me perguntando que criatividade é essa que não aparece na hora de escrever. Uma vez disseram que talvez meus designs tentem representar minhas emoções, mas acho que eles representam mais a minha constante necessidade de mudança, minha vontade de fazer algo melhor e, ao mesmo tempo que procuro seguir certas tendências, eu tento manter a minha essência. Não é uma tarefa fácil, principalmente a parte da essência porque... bem, eu não sei como ela é. Isso tem mais a ver com meus problemas com a minha autoimagem, e acho incrível a maneira como isso se reflete nesse espaço, como uma extensão virtual de mim mesma - mais do que qualquer rede social.

O negócio é o seguinte: eu quero parar com isso. Quero parar de ser extremamente mutável nessa parte e conseguir fazer mais de dois posts enquanto ainda utilizo o mesmo design. Quero conseguir ao menos deixar o mesmo header por um mês; a última vez que tentei isso foi em fevereiro, o mês mais curto do ano, e falhei. Eu sei que na maior parte das vezes não tem nada de muito errado com as coisas que eu faço pra esse cantinho, mas sendo bem sincera, eu sinto como se fosse pior do que um estagiário que acabou de receber seu primeiro job. E talvez eu seja mesmo, já que o estagiário supostamente tem uma base teórica e alguma coisa prática, e eu só vou na fé e sigo minha intuição.

Onde eu quero chegar é: preciso que vocês sejam pacientes comigo. Sei que muita gente não lembra do meu blog justamente por ele não ter uma identidade visual, já que eu vivo dando aloka e mudando a coisa toda, e sei que as vezes pode ficar bem confuso e cansativo para as pessoas que visitam esse cantinho com certa frequência.

Sim, gente. Eu não tô pedindo perdão pelos posts ruins, pelas vezes em que acabei escrevendo alguma merda, pelo conteúdo possivelmente desinteressante no qual esse blog se baseia. Eu tô pedindo perdão pela minha autoestima que é uma bosta e esse blog é só mais uma forma de expressá-la.



Obrigada pra quem atura esse drama, vocês são 10.

6 de abril de 2015

Neste feriado eu descobri que




Eu não tô falando aqui de pessoas com franjas longas e vários piercings na cara, adolescentes que acham que são radicais por beber e fumar em praça pública e ouvem música com gritos e breakdowns. Eu tô falando de emo. E eu sou muito.

Começou quando certo alguém me apresentou a banda American Football. No começo, eu não liguei muito, até porque não me identificava com as letras (ah, como eu era otária!), então deixei de lado. Quando as coisas aconteceram, percebi que certas músicas realmente se encaixavam e comecei a sentí-las ao invés de simplesmente ouví-las. Então passei a procurar outras bandas parecidas, e encontrei Foxing, até que acabei deixando de lado por mais um tempo.

Se você for me perguntar porquê eu voltei a ouvir esses dias, eu não vou saber dizer. Acredito que a depressão-de-feriado bateu forte e me fez ficar mais emotiva, mesmo, e por isso acabei fazendo umas buscas rápidas por "real emo" - ou seja, aquele emo não comercial, que não tem nada a ver com a imagem que a mídia criou do gênero -, e encontrei coisas que agradaram muito os meus ouvidos. Eis que surgiu minha playlist eu sou mto emo. Ela está bem incompleta por enquanto, mas foi basicamente a minha playlist do feriado (juntamente com muito Oh Wonder e Astronomyy, vai entender), e foi ao som dela que curti uma vibe mais introspectiva nesses dias de ócio, tomando chá em frente à televisão e lendo as letras das canções no telão.

Por coincidência, descobri que Sport está vindo para Curitiba.
Pensem numa pessoa feliz.

1 de abril de 2015

Os resquícios de conexões não estabelecidas

Quem sabe eu esteja caindo no mesmo buraco do qual lutei para sair inúmeras vezes. Eu sei que persistir no erro é burrice, mas quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que talvez essa ideia não seja tão errada assim. Ou que realmente não exista algo errado e que tudo isso não passa de uma questão de atribuição de valores. De qualquer modo, ainda dá tempo de sair dessa. Supondo que estou falando de um oceano, eu ainda estou na beira da praia, e a água gelada, chegando de mansinho, acaricia os meus pés.

via tumblr

Contemplando as ondas no horizonte, pergunto-me se teria coragem de deixá-las me levar para algum lugar desconhecido. Anseio pelo dia em que poderia dar uma resposta positiva a esta pergunta. Enquanto isso, absorvo, na beira da praia, parte da energia que é passada pelas águas. A princípio, não dou muita importância, mas o tempo passa e sempre derruba os panos que cobrem aquilo que poderia ser a realidade, e o que foi trazido a mim acaba por se manifestar das mais diversas formas; um simples sorriso, a lembrança do timbre de voz, uma das maneiras de olhar.

Eis que se torna doloroso compreender porquê eu não posso simplesmente mergulhar, adentrar as infinitas possibilidades à minha frente e entrar em harmonia com as marés: eu não sei nadar.

16 de março de 2015

Dos motivos que me tornaram mais minha


via tumblr

Ou sobre como eu descobri que eu sem você ainda é eu.


Eu sempre me assustei com a ideia de que, quem sabe, um dia encontraria alguém que faria da minha vida, nossa. Essa pessoa não deitaria na minha cama, mas nós deitaríamos juntos naquele móvel recém comprado para o nosso pequeno lar. Apesar de ter acabado antes de chegar a esse ponto, percebi que, no último ano, eu não tinha sido nem um pouco minha. Toda vez que eu vestia uma roupa nova, me perguntava o que você iria achar. Toda vez que eu pensava em mudar alguma coisa na minha aparência, a tua opinião significava o mundo para mim, de uma forma que eu não tinha coragem de mudá-la. A tua desaprovação era meu pior pesadelo, ainda que eu mesma não me reconhecesse no espelho.

Olhando por este lado, a tua ida me fez um bem danado. Foi só você dizer adeus que eu já tive mil e uma ideias de como eu poderia melhorar minha auto-estima, de como eu poderia arrumar as minhas coisas, até mesmo de quais músicas eu poderia botar no volume máximo e sair dançando e rodopiando pelo quarto - se você pensou naquela cantora pop que você odiava por causa da tua ex, você acertou. E quando eu paro e penso, me pergunto como eu consegui empurrar tudo com a barriga assim, tentando ser a garota que ficaria perfeita na foto contigo, ao invés de gradualmente me tornar a pessoa que eu buscava ser bem lá no fundo.

Veja bem, não estou dizendo que você me trancava e que tudo que eu fazia era para te agradar, tanto que eu nunca tive medo de botar pra tocar alguma música que eu não sabia se você gostaria, e nunca realmente me impedi de fazer alguma coisa que eu quisesse fazer por tua causa. Mas foram coisas pequenas, como a cor e o corte do cabelo, como tentar ignorar tudo que você odiava, como "fazer parte" de um grupo com o qual não me identificava tanto só pra não parecer tão fora de lugar quando estava ao teu lado.

Sei que eu também te influenciei muito nesses tempos, então não te culpo de verdade. Lembro das coisas que você fazia quando me conheceu, e percebo que, de certa forma, expandi teus horizontes, te fiz conhecer coisas novas que te trouxeram experiências únicas, de uma forma que você não conseguiria se não fosse por mim. Eu sei que não fui a única que mudou nessa viagem, e, apesar de tudo, tenho muito a te agradecer por isso.

Porque, ao menos por um tempo, a minha vida foi nossa. E meu quarto era nosso quando você passava semanas comigo, e teus quartos eram meus quando você estava ausente, ocupado com provas e trabalhos, e por um momento até tua família chegou a ser minha. Justamente por isso foi tão difícil desatar todos os nós no final; eram muitos.

Aos poucos, vou me recuperando, descobrindo um pouco mais sobre a Maria que há tempos perdi, vou me aventurando em universos desconhecidos, sedenta por aprender um pouco mais sobre cada coisinha que tenha uma pequena chance de me agradar, e, assim, pedacinho por pedacinho, vou montando a pessoa que eu sou sem você: eu mesma.

10 de fevereiro de 2015

Dezesseis anos



Ultimamente tenho me sentido como uma menina de dezesseis anos de novo. Insegura, incerta, um tanto quanto solitária, ansiosa, inconstante, e as mudanças abruptas de humor tem sido um desgaste emocional desnecessário, mas eu acho que não tem muito que eu possa fazer com isso. A maior diferença é que acho que tenho sido mais paciente - embora eu ainda me apresse demais com tudo - e ando pensando duas ou três vezes antes de tomar uma decisão, ao invés de agir de imediato. E eu não sei até que ponto isso é bom, já que mil e uma oportunidades boas passaram por mim este último mês e decidi ser paciente ao invés de agarrá-las.

Acontece que eu tô me redescobrindo, mas quem sabe a palavra certa seja apenas descobrindo, meio que pela primeira vez na vida. É uma coisa estranha pra mim ter eu mesma como meu único foco. Como se eu não fosse suficiente pra mim mesma. Mas isso está tão longe da verdade que já não consigo dizer se minha auto-estima está baixa ou alta demais. Já falei que sou altamente ambivalente? Parece mais que essas duas possibilidades estão em uma batalha constante dentro de mim, vendo quem consegue mais espaço, até que a outra venha e conquiste mais ou pouco da minha atenção, e por fim eu não consigo me decidir.

Eu achava que precisava de alguém pra conversar, mas nessa última semana eu percebi que isso não é uma questão de diálogo, mas sim uma espécie de monólogo introspectivo. E é exatamente esse o problema: eu não sei se aguento parar um tempo pra conversar comigo mesma. Só parece que está na hora de tentar crescer, e deixar de ser aquela menininha insegura de 16 anos que não conseguia encontrar a si mesma em um mar de amores superficias, amizades longe de verdadeiras e pseudo-crenças.

Que o universo me ajude.

31 de janeiro de 2015

I fear tomorrow I'll be crying

 

Por mais que eu aprecie a minha privacidade, imagino se deveria deixar a senha da minha conta no Blogger com meus pais, no caso de, sabe, coisas acontecerem. Se fosse há alguns anos, eu nem estaria pensando nisso porque eu tinha certeza que, quando tudo acabasse, seria porque eu determinei isso.

Acontece que o tempo passa e as pessoas mudam, e hoje eu tenho é medo de que qualquer coisa aconteça comigo. Nos últimos tempos, tenho notado como o ser humano é frágil, e como, a cada segundo, estou sujeita a infinitas maneiras de perder minha energia vital. Não tenho realmente muito medo desse dia, do acontecimento. Tenho medo de não poder dizer a todas as pessoas importantes para mim que eu as amo.

Eis que escrevo este post, agora, em um momento em que está tudo bem, porque nunca se sabe o dia de amanhã, apesar de todos os planos, de todas as expectativas e esperanças. Eu não quero ir, mas um dia será preciso. E por isso mesmo, por não saber exatamente quando isso tudo vai se tornar realidade, resolvi vir aqui apenas pra dizer que eu amo vocês, meus queridos leitores. Caso seja hoje ou em cem anos, vocês sempre serão uma parte muito grande mim, e só quero agradecer por fazerem parte da minha história.

Só não chorem por mim. No fim das contas, eu ainda estou aqui.