16 de março de 2015

Dos motivos que me tornaram mais minha


via tumblr

Ou sobre como eu descobri que eu sem você ainda é eu.


Eu sempre me assustei com a ideia de que, quem sabe, um dia encontraria alguém que faria da minha vida, nossa. Essa pessoa não deitaria na minha cama, mas nós deitaríamos juntos naquele móvel recém comprado para o nosso pequeno lar. Apesar de ter acabado antes de chegar a esse ponto, percebi que, no último ano, eu não tinha sido nem um pouco minha. Toda vez que eu vestia uma roupa nova, me perguntava o que você iria achar. Toda vez que eu pensava em mudar alguma coisa na minha aparência, a tua opinião significava o mundo para mim, de uma forma que eu não tinha coragem de mudá-la. A tua desaprovação era meu pior pesadelo, ainda que eu mesma não me reconhecesse no espelho.

Olhando por este lado, a tua ida me fez um bem danado. Foi só você dizer adeus que eu já tive mil e uma ideias de como eu poderia melhorar minha auto-estima, de como eu poderia arrumar as minhas coisas, até mesmo de quais músicas eu poderia botar no volume máximo e sair dançando e rodopiando pelo quarto - se você pensou naquela cantora pop que você odiava por causa da tua ex, você acertou. E quando eu paro e penso, me pergunto como eu consegui empurrar tudo com a barriga assim, tentando ser a garota que ficaria perfeita na foto contigo, ao invés de gradualmente me tornar a pessoa que eu buscava ser bem lá no fundo.

Veja bem, não estou dizendo que você me trancava e que tudo que eu fazia era para te agradar, tanto que eu nunca tive medo de botar pra tocar alguma música que eu não sabia se você gostaria, e nunca realmente me impedi de fazer alguma coisa que eu quisesse fazer por tua causa. Mas foram coisas pequenas, como a cor e o corte do cabelo, como tentar ignorar tudo que você odiava, como "fazer parte" de um grupo com o qual não me identificava tanto só pra não parecer tão fora de lugar quando estava ao teu lado.

Sei que eu também te influenciei muito nesses tempos, então não te culpo de verdade. Lembro das coisas que você fazia quando me conheceu, e percebo que, de certa forma, expandi teus horizontes, te fiz conhecer coisas novas que te trouxeram experiências únicas, de uma forma que você não conseguiria se não fosse por mim. Eu sei que não fui a única que mudou nessa viagem, e, apesar de tudo, tenho muito a te agradecer por isso.

Porque, ao menos por um tempo, a minha vida foi nossa. E meu quarto era nosso quando você passava semanas comigo, e teus quartos eram meus quando você estava ausente, ocupado com provas e trabalhos, e por um momento até tua família chegou a ser minha. Justamente por isso foi tão difícil desatar todos os nós no final; eram muitos.

Aos poucos, vou me recuperando, descobrindo um pouco mais sobre a Maria que há tempos perdi, vou me aventurando em universos desconhecidos, sedenta por aprender um pouco mais sobre cada coisinha que tenha uma pequena chance de me agradar, e, assim, pedacinho por pedacinho, vou montando a pessoa que eu sou sem você: eu mesma.

6 comentários

  1. Bem que já diziam por aí que o melhor amor de todos é o amor-próprio.
    Excelente texto! Super profundo. ^^
    Não há melhor coisa nessa vida do que sermos nosso por inteiro!
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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  2. Eu sei que não tem nada a ver, mas você cortou o cabelo recentemente (e ficou lindo btw) e eu me lembrei de um costume que as jovens têm no Japão, que é de cortar o cabelo quanto elas têm o "coração partido". E eu acho lindíssimo, porque pra mim é um símbolo de deixar algo pra trás e seguir em frente, com uma nova perspectiva. Tô feliz pra caramba com esse texto, Maria! *w* eu espero que você vá se redescobrindo mais e mais, e tenho certeza de que tudo o que você passou agora te fez crescer de alguma forma e vai contribuir pra esse novo olhar que você terá do mundo (tô filósofa hoje heim? uau)
    Adorei o layout novo, e adoro o fato de que ele está sempre mudando ~ Adorei o post também, adorei todo, te adoro <3 <3 <3

    Respondendo seu comment: independente de quem te falou de SnK, leia o mangá que vale a pena. O traço é horrível, mas se eu que sou frescurenta conseguir deixar isso de lado, acho que qualquer um consegue! XD Se você ler, espero que goste!

    Um suuuper beijo porque você é lindo <3

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  3. Amo seu blog. Acho lindo e profundo tudo que você posta ^^

    ps:te acho linda ! bejos

    http://stay-creepy.blogspot.com.br/

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  4. Bah, não tem nada pior que deixar de lado o amor-próprio e mudar um pouco por alguém. Penso eu que isso não é amor e sim alguma forma de imposição, também passei por isso. E depois a gente se redescobre, volta a ser quem éramos e amadurecemos, bem como, juramos que nas próximas relações, não iremos nos deixar ser mudados assim.

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  5. Nossa, Maria, novamente eu vejo a mim mesma no seu texto!
    Fico pensando em todas as vezes que eu deixei de fazer o que eu gostava só pra agradar outra pessoa, e aqui não me refiro só a namoros, mas também a "amizades" que só me faziam mal, sabe?
    E essa influência, como você disse, são bilaterais: ambas as partes fazem isso. Acho importante a gente ser cada vez mais crítico com relação a isso de perder a individualidade, e inclusive estive pensando o quão brega soa aquela velha máxima de "somos um só". Sinto-me até uma "arromântica", mas é que não vejo muito sentido abrirmos mão do que somos por causa de alguém. kkkk
    Não mais!

    Desejo que você continue descobrindo se descobrindo cada vez mais até encontrar sua essência. Pra mim está sendo muito bom também <3

    Beijos!
    http://burlesque-suicide.blogspot.com.br

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  6. Ô, vontade de te abraçar. :~

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